Pesquisa revela que o ciclídeo Neolamprologus pulcher usa o xixi como comunicação.

Ciclídeos são exemplos quando se fala em evolução, são objetos de estudos em dezenas de pesquisas pelo mundo por terem um comportamento complexo e diversos meios de comunicação. Com o Neolamprologus pulcher não seria diferente, além de uma espécie linda do lago Tanganyika, tem um meio de comunicação um tanto peculiar.

Pesquisa sobre comunicação usando xixi

Como publicarmos anteriormente, o xixi dos peixes é uma fonte importante de nutrientes para corais e plantas aquáticas, além disso é um sistema complexo e curioso bastante diferente dos mamíferos. Por ser algo tão interessante, um trio de pesquisadores da Universidade de Berna, na Suíça, descobriu que pelo menos uma espécie de peixe se comunica com outras de sua espécie usando produtos químicos em sua urina.

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Em seu artigo publicado na revista Behavioral Ecology and Sociobiology , a equipe descreve os experimentos que realizaram com um peixe Ciclídeos e o que eles descobriram.

Neolamprologus pulcher (Robin Hedström/Flickr)

A espécie utilizada no estudos foi o Neolamprologus pulcher, endêmica do lago Tanganyika na tríplice fronteira da Tanzânia, da República Democrática do Congo e da Zâmbia.

Como foi a descoberta?

Para descobrir, eles inseriram uma partição no meio de um aquário que impedia os peixes de ambos os lados de interagir fisicamente uns com os outros. Em alguns cenários, a barreira tinha pequenos orifícios para permitir que a água passasse entre os lados, enquanto em outros não. Além disso, algumas barreiras eram opacas e outras transparentes.

Os pesquisadores injetaram nos peixes um pigmento azul que lhes permitiu ver e medir a urina sendo expelida pelos peixes, mediram quanta urina foi expelida em uma variedade de situações – nas quais apenas um peixe estava no aquário; em que havia dois, mas eles não podiam se ver; em que havia dois e eles podiam se ver, mas eram ou não capazes de se comunicar através da urina através da barreira , a equipe também usou uma variedade de tamanhos de peixes e observou o comportamento dos peixes durante cada teste.

Para descobrir se há comunicação por sinais químicos emitidos pela urina a espécie de ciclídeo africano Neolamprologus pulcher foi usada e o seguinte teste aplicado
Experiência realizada com o peixe Neolamprologus pulcher

Os pesquisadores analisaram os resultados e notaram que quando dois peixes enxergavam no aquário, eles levantaram suas nadadeiras e se aproximaram de maneira agressiva, e ambos expeliam mais urina do que quando não conseguiam ver outro peixe.

Em outro momento eles descobriram que apenas quando a urina passou pela barreira houve uma mudança perceptível no comportamento dos peixes, nesses casos os peixes menores geralmente reduziram sua agressividade, ficando submisso ao maior.

Curiosamente, os pesquisadores também notaram que quando a urina não conseguia passar pela barreira e os peixes conseguiam se ver, ambos emitiam mais urina do que em qualquer outro cenário, aparentemente sabendo de que sua mensagem não estava chegando.

Nossa comunicação é rudimentar?

Segundo os pesquisadores: os humanos também podem estar perdendo outros sinais. Além de sinais químicos, os animais usam vibrações sísmicas, eletricidade e luz ultravioleta para se comunicar.

Os sinais visuais podem ser mais óbvios, mas esta pesquisa enfatiza a importância de se procurar formas de comunicação menos perceptíveis, dizem os autores.

Referências

To pee or not to pee: urine signals mediate aggressive interactions in the cooperatively breeding cichlid Neolamprologus pulcher“, disponível em: Springer Link

Escrito e enviado por Jose Antonio Reis, especialista em ciclídeos.

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