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Entrevista com o Artista Paulo Caldas: A solidão do Betta.

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Olá, Aquaristas.

Hoje estamos lançando mais uma entrevista, desta vez não será sobre algum aquapagista conhecido, mas sobre o artista Alagoano Paulo Caldas que tive o prazer de conhecer na extinta feira de artesanato Cheiro da Terra em Maceió. O que mais me chamou atenção foi uma série de pinturas chamada “A Solidão do Betta”, ele de alguma maneira conseguiu expressar com naturalidade em traços finos de grafite e estilo surrealista o que muitos aquaristas pensam ao ver uma Betta solitária no aquário.

Todo o meu trabalho visa o humanismo e o ser humano melhor, mais transparente e mais iluminado. – Paulo Caldas

Entrevista com o Artista Paulo Caldas: A solidão do Betta.

Quem é Paulo Caldas e qual seu contato com o Aquarismo?

392472 373670032679659 381585713 n • Entrevista com o Artista Paulo Caldas: A solidão do Betta.– Tenho um irmão(Jose Carlos Caldas) que mexe com peixes ornamentais. Ele deu um Betta de presente à minha filha e o mesmo passou a fazer parte da família. Só que algo me incomodava ao observar sua solidão. Amanhecia, anoitecia, saíamos e voltávamos, viajávamos e ele estava ali… solitário betta, betta solitário em seu espaço reduzido a um aquário de um palmo por um palmo e meio.

Outra coisa me chamava a atenção: ele ser produzido para ser assim: lindo aos olhos humanos que  – acho – não quer nem saber se aquele monte de caudas e barbatanas são incômodos. Ele nada com muito esforço e chega um momento em que se deixa cair. Ele não está flutuando. Ele está caindo por causa do esforço que faz para se manter “nadando” e sendo lindo aos olhos humanos que também acha lindo e vibra com a estúpida queda de um boi numa ainda mais estúpida VAQUEJADA.

A cada quadro corresponde uma ideia?

– Sim. E todos formam uma série que define a ideia central.

Entrevista com o Artista Paulo Caldas: A solidão do Betta.

Qual foi a obra que mais gostou de pintar?

– Todos, sem comparação… Meu trabalho é feito com entrega e dedicação e não me entrego mais a um do que a outro. Eles são como os dormentes de um trilho, e um não tem como estar se o outro não estiver.

O que pretende transmitir com a sua obra?

– Todo o meu trabalho visa o humanismo e o ser humano melhor, mais transparente e mais iluminado. As pessoas costumam dizer que o meu trabalho é lindo, mas ele seria um nada se fosse vazio de questões. Meu trabalho é puramente político – não confundir com politiquices ou politicalha. Quando mais jovem li uma entrevista do grande Iberê Camargo e ele disse assim: “Não pinto para enfeitar o mundo. Não faço berloques! Eu pinto porque a vida dói…” eu já pensava assim antes de ler o grande pintor gaúcho nascido em restinga seca. A partir daí passei a ser mais radical quanto a isso.

Qual o sentimento com a criação da “A Solidão do Betta”? (Mais imagens da coleção “A Solidão do Betta” no final da entrevista)

Exatamente o que disse. Quando vejo o peixe enclausurado num espaço tão pequeno, eu faço um paralelo com um ser de espírito tão imenso e vive num reduzido espaço chamado CORPO HUMANO! Vivemos numa cela de carne e osso. Tentamos flutuar, tentamos voar, mas nossas imensas e pesadas caudas e barbatanas nos impedem os movimentos… isso é o beta, isso somos nós!! Criamos nets e toda sorte de lindas tecnologias e somos assassinados pelo menor descuido no trânsito, nos jogos de futebol, numa fila de supermercado. Somos assaltados por desassistidos e engravatados e muitos não se dão conta do quanto é retrogrado “levar vantagem e ser “esperto””. Meu sentimento é, portanto, de solidão em meio a luzes e espelhos.
Ele constrói ninhos que jamais serão habitados. Ele briga com a ferocidade de um tigre e come sua ração com a voracidade de um tubarão. O que salva o betta da loucura são os espelhos onde ele se vê. Pensa ser um igual, mas é apenas espelho. E ele constrói mais um ninho e espera mais uma vez. Ele se engalana como um general quando vai brigar… com um espelho.

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Pretende entrar mais a fundo no Aquarismo? Em qual área?

Não. O aquarismo não é a minha praia!!! Gostou do trocadilho?

Entrevista com o Artista Paulo Caldas: A solidão do Betta.

Como as pessoas podem fazer para conhecer todas essas imagens ao vivo?

– Meu telefone: (82) 99552464 Endereço: Conj. Rui Palmeira, bloco 7A Apto 403 – Serraria – Maceió Al.

Agradeço a entrevista e essa coleção fantástica de imagens, quer finalizar com alguma mensagem para os nossos leitores?

– Sim: SER BOM É MAIS BARATO! SER CORRETO CUSTA MENOS AO PLANETA!

Mais imagens:

Entrevista com o Artista Paulo Caldas: A solidão do Betta.

Entrevista com o Artista Paulo Caldas: A solidão do Betta.

Entrevista com o Artista Paulo Caldas: A solidão do Betta.

Entrevista com o Artista Paulo Caldas: A solidão do Betta.

Entrevista com o Artista Paulo Caldas: A solidão do Betta.

Entrevista com o Artista Paulo Caldas: A solidão do Betta.

Escrito por André Albuquerque

Analista de mídias sociais e aquarista desde os 6 anos. Meu falecido irmão tinha uma carcaça da geladeira onde havia muitos peixes e plantas, tudo aquilo brilhava nos meus olhos, até hoje tenho o suporte de aquário que ele me deu. Magia é ver as plantas crescendo e todo tipo de fauna se reproduzindo dentro de uma caixa de vidro.

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